Em 2024, menos candidatos a vereador

Em Beltrão, há 20 anos, teve um candidato a vereador colocado para debochar da política. E o sujeito teve 500 e poucos votos.


A lei mudou, e agora para 2024 teremos menos candidatos a vereador em todo o Brasil. Antes, para contextualizar, cada chapa (de partido ou coligação) podia ter o número de vagas em disputa, mais 50%. Assim, em Francisco Beltrão, por exemplo, em 2020, as nominatas tinham até 20 candidatos  (13 vagas, mais 50%). Agora, para 2024, será o número de vagas e apenas mais uma pessoa.

Se isso valesse em 2020, em vez de 20, as chapas beltronenses teriam 14 nomes. Se a Câmara de Beltrão aumentar as vagas para 17 — o limite máximo para municípios de 80 mil a 120 mil habitantes —, as chapas terão 18 candidatos. Se for para 15 vereadores, 16 candidatos; se baixar para nove vereadores, apenas 10 candidatos.

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Além de tudo, para 2024 já são menos partidos no Brasil. A cláusula de barreira está gradativamente diminuindo as legendas no país.

Teremos então, naturalmente, menos candidatos a vereador pedindo voto no ano que vem, e isso vai exigir dos partidos um processo de seleção mais rigoroso. É uma dificuldade. Ja é complicado para as direções partidárias acharem mulheres dispostas a se candidatar, e agora terão mais esse obstáculo, o de escolher com mais precisão quem será candidato.

Nesse aspecto, os partidos políticos de Beltrão poderiam pressionar a Câmara para que aumentasse o número de cadeiras para a próxima legislatura. Eu já dei a minha opinião, acho que deveriam ser 17, que se chancele o máximo — e esse assunto fica resolvido até 2050.

Essa determinação valerá também para 2026, nas chapas de deputado. O Paraná tem 30 cadeiras em Brasília e as nominatas terão então apenas 31 candidatos — e não os 45 de 2022 (o número de cadeiras, 30, mais 50%). Para a Assembleia, em vez de chapas com 81 nomes, serão apenas 55 (54 cadeiiras, mais um).

Será uma forma de inibir a presença dos chamados puxadores de voto, aquelas figuras que são conhecidas do grande público, mas alheias aos meandros da política e da administração. O caso do deputado Tiririca, em São Paulo, é emblemático — e ele continua se reelegendo, a despeito de sua votação ter despencado a cada pleito desde 2010.

Em Beltrão, há 20 anos, teve um candidato a vereador colocado para debochar da política. E o sujeito teve 500 e poucos votos.

Depois da onda bolsonarista que impregnou o país em 2018 e 2022, com muitos candidatos se apresentando com o prefixo da patente militar, acho que haverá uma serenidade a partir da próxima. Acho.

Já meio que enjoou o delegado disso, sargento daquilo, coronel, cabo e soldado a rodo…

Espero que tenha sido uma fase e que as pessoas dispostas a colocar seu nome na corrida por votos apresentem algo a mais do que sua graduação.

Mas, enfim, não podemos nos iludir demais. Essa é a política que temos e é melhor tê-la que vivermos em ditaduras.

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