Das 8,3 bilhões de toneladas de plástico virgem produzidas até o fim de 2015, 6,3 bilhões de toneladas foram descartadas. A maior parte deste lixo plástico ainda está conosco, sepultada em aterros sanitários ou poluindo o meio ambiente. Microplásticos foram encontrados no gelo marinho da Antártida, nas entranhas de animais que vivem nas fossas oceânicas mais profundas e na água potável em todo o mundo. Hoje, a indústria de embalagens é de longe a maior usuária de plástico virgem. Mas também usamos plástico de muitas maneiras mais duradouras: em nossos prédios, meios de transportes e outras infraestruturas vitais, sem mencionar nossos móveis, eletrodomésticos, TVs, tapetes, telefones, roupas e inúmeros outros objetos do cotidiano. Já imaginou a Medicina sem plástico? A relevância que o plástico tem hoje na Medicina é fundamental. De acordo com um estudo, uma única cirurgia para retirada de amígdalas num hospital do Reino Unido pode resultar em mais de 100 peças avulsas de resíduos plásticos. Claro que em muitos casos existe uso excessivo de plástico nos hospitais — e são os próprios profissionais de saúde que fazem essa afirmação.
O que dizer do plástico na indústria alimentícia?
Nosso sistema alimentar também desmoronaria rapidamente. Usamos embalagens para proteger os alimentos contra danos no transporte e para preservá-los por tempo suficiente até chegar às prateleiras dos supermercados, mas também para comunicação e marketing. “Não consigo imaginar como [o plástico] seria substituído completamente em nosso sistema”, diz Eleni Lacovidou, professora de gestão ambiental da Brunel University London, no Reino Unido. E não são só os consumidores que precisariam mudar seus hábitos, as cadeias de suprimentos dos supermercados são otimizadas para vender produtos embalados e precisariam ser reformuladas. Tudo isso significa que um mundo totalmente sem plástico é irrealista. Alternativas estão sendo criadas para a substituição do plástico. É necessário que tenhamos matéria prima altamente tecnológica para uma real substituição, pois a natureza por si só não consegue subsidiar a alta demanda de consumo dos seres humanos. Além disso, é imprescindível que os consumidores e também as empresas mudem o seu mindset para esta temática.




