Enquanto você e eu apertamos o cinto, reduzimos despesas e vemos sobrar mais dias do que salário todo mês, a farra com dinheiro público segue de vento em popa no Planalto Central.
Não para o festival de benefícios a empresas, servidores públicos, parte dos magistrados e categorias mobilizadas em grupos de pressão política.
Agora, sob o pretexto da guerra no Oriente Médio, então… até as companhias aéreas, essas pobres criaturas que quase não ganham dinheiro com bilhetes cada vez mais caros, vão se dar bem em cima do bolso do contribuinte, ou seja, da gente aqui na planície da vida real.
As passagens aéreas subiram quase 25% em 12 meses.
Tem cada vez mais pessoas viajando de avião, uns 100 milhões só em voos domésticos, o que pode até ser apontado como uma contradição com o aperto no orçamento doméstico.
Mas esse item ilustra bem o que diz a sabedoria popular sobre embolsar lucro e dividir prejuízo.
As companhias aéreas, basicamente as três dominantes, dividem um mercado altamente concentrado, com preços praticamente iguais entre si, baixa concorrência, proteção contra competidores estrangeiros e, agora, vão levar do governo isenção de PIS e Cofins e da tarifa de navegação, além de crédito a juros camaradas.
Fala-se em R$ 4 bilhões de um fundo, mais R$ 1 bilhão do BNDES. É um segmento importante? Sim. Mas e a agricultura e a pecuária, base mais dinâmica da economia nacional em tempos de crescimento magro, juros e inflação em alta? O setor é um dos mais prejudicados pela crise do petróleo causada pela guerra de Trump no Irã.
Até aqui, levou apenas a promessa do governo de uma linha de crédito para refinanciar dívidas. A questão central é a prioridade, ou a importância de cada setor.
Tudo bem, o preço do querosene disparou desde o início do rolo no Oriente Médio. Mas a estatal Petrobras deixou de ganhar mais dinheiro para dividir esse reajuste em seis prestações às empresas. Está correto? Há divergências de opinião.
Mas é um super alívio. De novo, e o que foi feito para baratear os custos de fertilizantes para plantar a nova safra brasileira? Nada até agora.
E uma linha de crédito quando os índices de inadimplência do setor rural bateram em 7,5%, muito acima dos quase 3% de um ano atrás, não resolverá nem a urgência, nem enfrentará a raiz do problema.
A indústria brasileira, em franca decadência em vários de seus segmentos atropelados pela produção da China, ganhou, logo no início do governo Lula, um programa de R$ 300 bilhões a ser executado em quatro anos. Até fevereiro, contratou quase R$ 590 bilhões em crédito com juros até 8,5% ao ano para comprar máquinas e equipamentos, investir em laboratórios, pesquisa e inovação. O Fundo Clima, que deveria estar bem próximo do agro, financiou R$ 9 bilhões para combustíveis e mineração. O setor automobilístico levou, sozinho, R$ 190 bilhões desde 2023, mesmo com a enxurrada de importação da China. Meritório? Sem dúvida. Mas e a agricultura, como plantar sem crédito e sem adubo? Produtores têm avisado que vão reduzir a área plantada ou apostar na sorte, e nos investimentos anteriores, deixando parte de suas lavouras sem uso de fertilizantes.
Resultado: deve ser queda de produtividade e de volume de produção, o que reduzirá ainda mais a renda dos produtores e terá efeitos relevantes nas cidades movidas pelo agro.
Com colheita menor, os preços podem subir, é claro. Mas isso compensará no todo? Essa enorme incerteza, somada às dívidas de outras safras, problemas de gestão, inadimplência em alta, juros estratosféricos, dificuldade no crédito e custos de produção em disparada, tende a gerar mais inflação de alimentos, cujo peso no índice oficial (IPCA) desata a raiva das famílias, detona a popularidade e pode impedir a eleição e a reeleição de governos de plantão.
Ou seja, é um problemaço estrutural que deveria ter atenção dos burocratas de ar-condicionado nos ministérios da Fazenda, da Agricultura e no Banco do Brasil.
A saga continua
Os estragos do escândalo Master seguem assombrando as autoridades de Brasília. A cada semana, as revelações de novas conexões financeiras mostram as relações promíscuas do poder político.
Tem voo de jatinho para todo lado, dinheiro para consultorias de todo tipo, festas, reuniões, cachês etc.
Tem ex-presidente, senadores, deputados, ministros, apresentador de TV, muitos advogados e até veículos de imprensa. Tudo comprado no feirão do dinheiro e influência pública.



