Oito em cada dez

Está um pouco mais difícil a reeleição de Lula. A situação econômica das famílias e das empresas tem ficado pior a cada mês. Parece que o bem-estar com o próprio bolso terá um papel decisivo nas urnas. A (in)segurança pública, a violência e os muitos problemas sociais ainda terão forte apelo durante a campanha eleitoral.

Mas a resistência da inflação, sobretudo em alimentos e combustíveis, e o alto grau de endividamento das famílias ameaçam tomar o protagonismo entre as principais angústias da população.

O governo Lula tenta combater o endividamento com mais crédito para elevar o consumo e manter o PIB artificialmente para cima. Mas isso traz mais pressão sobre os índices de inflação, exigindo taxas de juros mais altas para frear o dragão da carestia, e leva a mais endividamento na ponta.

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Ou seja, é como aquele ditado popular: marmelada na hora da morte acaba por matar. O ciclo da economia não perdoa invenção e não aceita desaforo. No país do diagnóstico, todo mundo parece saber o que fazer e o que definitivamente não fazer. Mas nem por isso as tentações eleitorais morrem. Ao contrário, quanto mais arriscada a eleição, mais gente para dizer que é preciso acelerar os gastos públicos e “girar a roda da economia”.

A grana das famílias está cada vez mais curta. Em março, o endividamento bateu um recorde histórico ao atingir 80,4% das famílias (em março de 2025, eram 77,1%), segundo os dados da CNC.

Quer dizer, oito em cada dez estão com a corda no pescoço. Não há bom humor ou boa vontade que resolva. Não adianta IR zero nos salários, vale-gás, Pé-de-Meia, luz de graça, dinheiro para reforma ou construção de casa.

A montanha de dinheiro que Lula já despejou, e ainda planeja gastar até outubro, não tem compensado o desânimo de quem está carregado de dívidas, muitas delas impagáveis.

É problema com cartão de crédito, cheque especial, carnê da loja, consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado, prestações de carro e da casa… isso é o que tem definido o momento atual da política. O que vou ganhar votando em A ou B, perguntam as pessoas nessa situação.

O que já tenho, ou o que o governo concedeu, já é meu. Quero saber o que mais vem por aí, questionam os desesperados. Aí, abre-se a janela para o infinito das promessas e das benesses que terão que ser pagas a partir de 2027, que pinta um ano duríssimo para todos.

Com tanta dívida, a inadimplência tem se mantido em alta. A CNC aponta que 29,6% das famílias estão devendo há mais de 90 dias sem ter como pagar (eram 28,6 em março/25). Ou seja, um terço estão fora do jogo até aqui.

E, mesmo com 12,3% das famílias dizendo não ter condições de pagar essas dívidas em atraso, o governo insiste em dar mais crédito, sem propor uma solução razoável de futuro. É como se dissesse: meu problema é daqui para a frente, quero você feliz, com dinheiro na mão e comprando no crédito. Não interessa se você já passou do limite da barriga cheia, importa que eu quero ver você comer mais. Aproveite. Não pode dar certo.

E parece que não dará. Isso porque a projeção de endividamento também segue em alta. Em maio, diz a CNC, chegará ao pico de 80,8% das famílias. Somado à pesquisa CNC, que ouviu 18 mil consumidores em todas as capitais, um dado do Banco Central reitera esse avanço descontrolado do endividamento total das famílias. Esse índice foi de 47,8% (jan/24) para 48,6% (jan/25) e bateu em 49,7% (jan/26).

O comprometimento da renda saltou de 24,1% para 25,5% e chegou a 27,1% em apenas três anos. E o pessoal do SPC mostra que 86% dos novos negativados em fevereiro são reincidentes., Ou seja, limparam o nome, mas voltaram a dever na praça.

A guerra do Trump nas Arábias não parece dar trégua. Muita gente estudiosa do tema espera que piore muito antes de melhorar. Mas aí já estaremos no fim de 2026 e na bica da ressaca de 2027. Oremos!

Vinganças e verdades

Um senador lá do Sergipe, policial civil filiado ao MDB, abalou a República ao propor o indiciamento de três ministros do STF no relatório final da CPI do Crime Organizado.

A reação furibunda de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes à exposição de sua associação com o Master, narrada em 223 páginas demolidoras, provocou um freio de arrumação imediato.

Lula entrou em campo, mandou trocar os senadores da CPI com aval de Alcolumbre e salvou o STF, em mais uma jogada conjunta com o trio, de um vexame histórico e inédito. Mas as feridas estão abertas. E a vingança contra o senador Alessandro Vieira parece ser deixá-lo sem mandato e nas mãos do STF.

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