Dívidas sem freio

O governo Lula está vendendo o almoço para pagar a janta. Espremido pela cobrança de milhões de endividados por uma solução estatal para dívidas privadas, o Planalto desenha mais uma renegociação de débitos que deixará um rastro de novas cobranças quando o beneficiado perceber que só empurrou seu problema com a barriga.

Às vésperas da eleição, jogar esse enrosco bilionário para debaixo do tapete não é pouca coisa. Capaz de agradar a desesperada turma que está no calote e receber uma parte do seu voto. Nada prende mais a atenção do que a promessa de um benefício imediato. O problema, de novo, é que a realidade sempre se impõe. E o céu azul do outono pode virar tsunami no verão.

Tudo em Brasília se move pela eleição. Já faz algum tempo. Mas vai ficando mais claro que não haverá limites orçamentários para o governo tentar resolver o rolo das dívidas impagáveis. O time novo dos ministérios é ainda mais obediente ao presidente.

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Ninguém arrisca dizer não a Lula, como algum dia fizeram José Dirceu, Palocci ou Gushiken. Com a unanimidade ao seu lado, vai se enrolar com gosto nessa bandeira de campanha.

O drama é que grande parte das dívidas está nas contas vencidas de água, luz, gás, rotativo do cartão de crédito, cheque especial, carnê da loja, papagaios, consignados e prestações do carro e da casa. São dívidas com empresas e bancos. Fora do raio de ação do governo. E aí é que mora o perigo de voltar a dever logo ali na frente.

O Planalto costura um amplo programa de renegociação para quem ganha até 5 salários mínimos, uns R$ 8,1 mil mensais. O Refis das dívidas ajudaria perto de 81 milhões de brasileiros – metade deles ganha até um salário mínimo.

Desse total, 34 milhões já estavam endividados 10 anos atrás, aponta o mapa da inadimplência da Serasa. Quer dizer, pouco adiantaram as renegociações anteriores, como o Desenrola do início do governo Lula. Tem um exército de pessoas que não consegue pagar suas dívidas, seja qual for o benefício oferecido.

E os motivos são os mais variados, desde juros altos, passando pelas bets e tigrinhos, até aquela parcela que parecia caber no bolso, mas cresceu tanto que virou bicho selvagem. Mas o valor do salário mínimo subiu forte acima da inflação oficial, o desemprego está em baixa há algum tempo e a renda do trabalhador avançou neste governo.

Mas dinheiro na mão é vendaval, diz a sabedoria popular. Os motivos do calote importam para evitar a reincidência, mas dão poucas pistas sobre como sair desse buraco sem fundo.
Fato é que o consumo de bens e serviços bombou no governo Lula.

Estímulos de todo lado fizeram o endividamento das famílias e das empresas crescer sem freios. A solução do governo para driblar os juros nas alturas de 15% ao ano foi gastar mais dinheiro, aumentar impostos e tocar ficha no crédito ao consumidor. Nada de cortar gastos, baixar juros, economizar e ser previdente.

Daí que o novo Refis pode desenrolar até R$ 140 bilhões em dívidas, bem mais que o dobro da última tentativa. Para isso, vai usar fundo de garantias, FGTS, fundo do pré-sal, basicamente compostos por dinheiro público e recursos do próprio empregado e tudo o mais que estiver à mão.

O “plante que o João garante”, usado no finzinho da ditadura sob Figueiredo, virou “renegocie que o Lula banca”. Com dinheiro do imposto de todos, é bem verdade. Mas o importante, para o governo, é que mais essa cortesia com chapéu alheio pode render muitos votos em outubro.

Supremo de futricas

A mais alta Corte do país virou um BBB de futricas, revanches, vinganças e maledicências. Não há dia em que algum ministro, sempre protegido pelo anonimato, não tente desacreditar o rival do grupo oposto. Não há sossego aos brasileiros.

A Casa dos Supremos tem sempre uma intriga nova, um bate-boca fora de lugar, um desabafo sobre como é difícil conviver entre os colegas. Sabemos mais dos bastidores do jogo político no STF do que sobre decisões importantes em casos que interessam ao país.

O escândalo Master desatou uma guerra que não poupa quem paga imposto para bancar peripécias e penduricalhos do Egrégio Tribunal. Ali, há um dono. Que topa dançar se for convidado.

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