
No dia dedicado aos motoristas, o Jornal de Pato Branco traz a história de Tiago André De Santi, um profissional da boleia com duas décadas de experiência nas estradas brasileiras. Tiago compartilha sua visão sobre os desafios da profissão, a rotina nas rodovias e o impacto das políticas públicas no dia a dia dos caminhoneiros.
Experiência e preocupação com a segurança
Com 20 anos de estrada, Tiago André já presenciou “muita coisa acontecer”. O que mais lhe chama atenção hoje é a “loucuragem” e a falta de experiência de alguns motoristas, que contribuem para o alto número de acidentes e tragédias. “Pega um bruto desses aí para dirigir, tem que ter muita responsabilidade, experiência e cuidado”, alerta. Ele também aponta o uso de álcool e drogas, como o “rebite”, como problemas persistentes, apesar de reconhecer que a obrigatoriedade de paradas para descanso trouxe alguma melhora.
Jornada, legislação e realidade
Sobre a legislação que exige paradas para descanso, Tiago é pragmático: “Ajudou, mas também trouxe também o dilema da redução no faturamento do motorista, porque se você for cumprir essa jornada que eles querem que você cumpra, você não fatura, né?”. Ele explica que o tempo de espera em carregamentos, que pode durar um dia inteiro, não é considerado na contagem das horas de descanso, o que gera um “contraponto entre a necessidade de trabalhar e faturar e também o lado que tem da legislação”. Segundo ele, a lei é “muito a ferro e fogo”, sem alternativas para a realidade da profissão.
O peso do combustível nos custos
Proprietário de seu caminhão, Tiago aponta o combustível como o maior vilão dos custos operacionais. “É o combustível o que tá mais judiando. Quase sete reais um litro de diesel, num frete que não corresponde nunca”, desabafa. Um caminhão bruto, segundo ele, faz em média “dois, bem controladinho, dois e meio” quilômetros por litro, o que torna inviável a operação com o alto preço do diesel.
Estradas regionais e infraestrutura
Tiago André, que já fez rotas por todo o Brasil, incluindo o Nordeste e Mato Grosso, hoje foca mais no frete regional. Avaliando as estradas do Sudoeste do Paraná, ele considera que “em alguns lugares sim, em outros não”. A PR-280, recém-reformada com concreto, é um ponto positivo. “Agora ficou melhor”, reconhece, embora ressalte que essa qualidade deveria ser a regra, e não a exceção, no país. “Esse tipo de estrada aí tinha que ser modelo e não exceção no Brasil, né? Se político roubasse menos, né?”, provoca, com uma ponta de indignação.
A resiliência de quem não deixa o Brasil parar
Tiago André De Santi é um motorista que personifica a resiliência e a paixão pela estrada, enfrentando os desafios diários para garantir que o Brasil não pare.





