Em matéria de abordagem, “Jorge, um brasileiro” é uma das obras mais originais que li. Publicado em 1967, o livro projetou Oswaldo França Júnior ao vencer o Prêmio Walmap – mais importante da literatura nacional na época. A narrativa foi escolhida entre centenas, passando pelo crivo de autores consagrados, como João Guimarães Rosa e Jorge Amado.
Vida de caminhoneiro
A originalidade do romance se situa na abordagem da vida de um caminhoneiro. O protagonista, que dá título à obra, é um motorista experiente. Num cargo de confiança de um empresário que possui uma frota de veículos, Jorge tem o desafio de levar em sete dias, em meio a uma sequência de dias de muita chuva em Minas Gerais, em que as estradas estão intransitáveis, boa parte das pontes caíram ou não se têm segurança para atravessá-las, do interior – Caratinga – até Belo Horizonte, oito carretas carregadas de milho para uma inauguração.
Para tal, precisará contratar motoristas e lidar com diversos percalços, como um caminhoneiro doente, veículos que quebram no meio do nada e ainda improvisar desvios para, sem ponte, atravessar um rio.
Enquanto narra sua saga, Jorge relembra situações momentos marcantes da vida pelas rodovias, desde a construção da uma via de ligação entre o Acre e Brasília, até suas aventuras amorosas, como quando um colega se apaixona por cafetina e, ao reencontrá-lo, tempos depois, já casado, este narra a história à esposa como se Jorge fosse quem se seduziu.
Carga Pesada e cinema

“Jorge, um brasileiro” serviu de inspiração para a série “Carga Pesada”, exibida na TV Globo entre 1979 e 1981, retomada de 2003 a 2007. O livro foi adaptado para o cinema em 1988, com Carlos Alberto Riccelli no papel principal.
Referências

- Título: Jorge, um brasileiro;
- Gênero: Romance;
- Autor: Oswaldo França Júnior;
- Número de páginas: 193;
- Editora: Nova Fronteira;
- Ano de lançamento: 1967.



